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Computação na Educação Infantil: obrigatória, e sem tela

Equipe Robotomia18 de setembro de 20267 min de leitura

A conversa sobre computação no currículo virou assunto de Ensino Fundamental, e a Educação Infantil virou a página. Mas a Resolução CNE/CEB nº 2/2025 vale para todas as etapas e para a rede privada — e manda o currículo da etapa incluir computação desplugada.

Fui atrás da Resolução CNE/CEB nº 2/2025 para conferir uma data e acabei achando outra coisa: uma etapa inteira que quase ninguém está olhando.

Nas conversas que tenho tido com escolas de Educação Infantil, quase nenhuma sabe que está incluída. A conversa sobre computação no currículo virou assunto de Ensino Fundamental — programação nos anos finais, robótica no 6º ano, pensamento computacional no 5º. A Educação Infantil virou a página do artigo achando que aquilo não era com ela.

É com ela. E o que a norma pede para essa etapa é bem diferente do que a maioria dos gestores imagina.

A regra vale para a Educação Infantil, e vale para a escola particular

A Resolução CNE/CEB nº 2/2025 é a norma operacional que fecha a conta da educação digital na Educação Básica. O art. 1º, § 1º é direto sobre o alcance: as diretrizes "aplicam-se à oferta pública e privada, ao atendimento de todas as etapas da Educação Básica".

Todas as etapas inclui a primeira. E "pública e privada" inclui a sua.

O prazo está no art. 36: a elaboração dos novos currículos, acompanhada de plano de formação docente, deveria acontecer ao longo de 2025, com efetiva implementação obrigatória a partir do ano de 2026. Estamos em 2026. A obrigação está valendo agora.

Para a Educação Infantil há uma facilidade prevista no § 1º do mesmo artigo: a implementação "poderá ser concomitante em todos os anos, integrando os conteúdos e brincadeiras aos campos de experiências já programados". Ou seja, a etapa não precisa ser faseada ano a ano — pode entrar inteira de uma vez, dentro dos campos de experiência que a escola já planeja.

Onze objetivos, com código próprio

O conteúdo não está na Resolução: está no Complemento de Computação à BNCC, o documento que define competências e habilidades por etapa. E ele traz uma seção só para a Educação Infantil, com onze objetivos de aprendizagem codificados, do EI03CO01 ao EI03CO11, repartidos em três eixos:

  • Pensamento Computacional — EI03CO01 a EI03CO06 (seis objetivos)
  • Mundo Digital — EI03CO07 a EI03CO09 (três objetivos)
  • Cultura Digital — EI03CO10 e EI03CO11 (dois objetivos)

Vale um parêntese de gramática, porque é onde quase todo mundo escorrega — eu inclusive, na primeira leitura. Na BNCC, o primeiro par de dígitos do código é a faixa etária: 01 são bebês (até 1 ano e 6 meses), 02 são crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) e 03 são crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses).

Todos os onze objetivos de computação são EI03. Quer dizer: as habilidades codificadas são da pré-escola. O berçário e o maternal não têm objetivo de computação no Complemento.

Só que a obrigação curricular da Resolução nº 2/2025 não faz esse recorte — o art. 32 fala da Educação Infantil inteira. Na prática, o que a escola precisa ter escrito no currículo alcança a etapa toda; as habilidades com código são da pré-escola.

O que a norma pede é computação sem tela

Aqui está a parte que costuma virar a chave na conversa com a coordenação.

Existe um medo legítimo, que escuto em quase toda reunião: o de que a lei vá empurrar tablet para criança de quatro anos. É o oposto do que está escrito.

O art. 32, § 1º diz que a construção do currículo da Educação Infantil deverá incluir, entre outras coisas: "I - a prioridade à experiência e exploração do mundo; II - a integração da família para conscientização sobre o uso equilibrado de dispositivos digitais; e III - a computação desplugada."

Computação desplugada não é uma sugestão pedagógica simpática. É item de um inciso, num parágrafo que usa o verbo "deverá".

E o art. 10 fecha o cerco pelo outro lado: na Educação Infantil, o uso de telas e dispositivos digitais pelos estudantes, "mesmo que para fins pedagógicos, não é recomendado como regra, devendo seu uso ser em caráter absolutamente excepcional". Quando a exceção acontecer, tem de ser com dispositivo oferecido pela escola, com mediação do professor, e sem se estender por longo período.

Um cuidado honesto com as fontes, já que o assunto é delicado: o Complemento da BNCC, que é de 2022, traz para cada objetivo exemplos de computação plugada e desplugada — chega a citar ScratchJr e brinquedos robóticos. A Resolução nº 2/2025 é posterior e é a norma operacional: é ela que manda incluir computação desplugada no currículo e restringe a tela ao excepcional. Na dúvida sobre o que escrever no seu PPP, é o texto de 2025 que orienta.

Como isso se parece na sala

Os exemplos desplugados do próprio material do MEC, para o primeiro objetivo (EI03CO01, reconhecer padrão de repetição), dão bem o tamanho da coisa:

  • perceber a repetição em comer um sanduíche — morder, mastigar, engolir;
  • perceber a repetição em respirar — inspirar, expirar;
  • achar o padrão que repete numa música feita com sons do próprio corpo;
  • criar uma sequência com blocos de montar, indicando quantas vezes ela repete.

Nos outros objetivos o material sugere ordenar as etapas da rotina de dormir, executar algoritmos em amarelinha e labirinto no chão, dobrar papel ao meio contando as repetições, preparar uma receita conversando sobre a ordem dos passos, e brincar de "morto e vivo" com frases verdadeiras e falsas para trabalhar decisão em dois estados.

Repare no que essas atividades são: quase todas já acontecem na sua escola. A professora de Educação Infantil já faz sequência com blocos, já trabalha rotina em imagens, já brinca de estátua.

O que muda é menos do que parece, e é exatamente por isso que passa despercebido. A atividade já acontece; o que falta é nomear o objetivo, planejar com intenção e registrar no documento curricular. Numa supervisão, é o registro que se olha primeiro — o art. 6º da Resolução manda que as regras e procedimentos constem dos regimentos internos e dos Projetos Político-Pedagógicos.

Como a Robotomia resolve isso

A Robotomia é uma plataforma de robótica e programação que entra no currículo da escola — não é oficina de contraturno nem caixa de peças para a coordenação se virar depois.

Para a Educação Infantil, o programa é desplugado, como a norma pede. A escola recebe:

  • o currículo da etapa, organizado aula a aula e amarrado aos objetivos EI03CO01 a EI03CO11, para colar no documento curricular sem a coordenação ter de traduzir norma sozinha;
  • o livro do aluno, com as atividades na mão da criança;
  • o treinamento do professor que já está na sala — o mesmo que conduz a rotina hoje. Não é preciso contratar especialista, e não é preciso que ele saiba programar.

A inteligência artificial e a programação na plataforma entram a partir do 1º ano do Fundamental, quando a norma muda de tom e passa a recomendar o uso pedagógico de dispositivos. Na Educação Infantil, o que existe é brincadeira com intenção e registro.

Duas coisas acontecem ao mesmo tempo quando isso entra: a escola sai da irregularidade e ganha uma conversa nova com as famílias. Robótica e tecnologia deixaram de ser enfeite de folder — viraram um dos primeiros itens que os pais comparam na hora de escolher escola, e na Educação Infantil quase ninguém ainda tem o que mostrar.

Se a sua escola tem Educação Infantil e ainda não colocou computação no currículo, isso cabe numa conversa de meia hora. Chame a gente em robotomia.com.br.


Fontes

  • Resolução CNE/CEB nº 2, de 21 de março de 2025 — Diretrizes Operacionais Nacionais sobre uso de dispositivos digitais em espaços escolares e integração curricular de educação digital e midiática. Art. 1º, § 1º (alcance); art. 6º (PPP e regimento); art. 10 (uso de telas na Educação Infantil); art. 32 e § 1º (currículo da Educação Infantil e computação desplugada); art. 36 e § 1º (prazo e implementação concomitante).
  • Resolução CNE/CEB nº 1, de 4 de outubro de 2022 — Normas sobre Computação na Educação Básica, complemento à BNCC.
  • Complemento de Computação à BNCC — Educação Infantil, objetivos EI03CO01 a EI03CO11 e respectivos exemplos plugados e desplugados.
  • BNCC — Educação Infantil, estrutura dos códigos alfanuméricos por grupo de faixa etária.

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